Segunda-feira, 5 de Julho de 2010

Nª Srª das Preces

 

Longe vão os tempos em que se aguardava um ano para ir até ao Vale de Maceira no primeiro Domingo de Julho, à romaria da Nª Srª das Preces, a padroeira das Beiras. Ia-se em família, em grupos de cada terra, as mulheres carregavam o cesto com a merenda, os homens o velho palhinhas com o tinto de produção caseira, e os miúdos aguardavam ansiosos por uma guloseima e um brinquedo em madeira. Hoje, tudo está diferente, já não há brinquedos em madeira, há toalhas clubísticas, vuvuzelas e outras plastiquices irritantes made in china, apenas o local se mantêm com as centenárias árvores que nos observam geração após geração, pelo menos a nós, os mais teimosos que continuam ano após ano a ir até ao Vale de Maceira, à Nª Srª das Preces.  

 

 

Sem a multidão de outros tempos, a romaria ainda acolhe muitos romeiros em excursão, com especial incidência da Beira Baixa, Fundão, Covilhã, principalmente.

 

 

Um templo com belos frescos e uma talha irrepreensível, que vale a pena visitar sempre.

 

 

Neste dia de romaria, a afluência de pessoas a visitar o templo é sempre mais elevada.

 

 

A Missa campal sob um sol abrasador...

 

 

...e valeu a sombra dos velhos e enormes carvalhos. O sermão prolongou-se por mais de uma hora, exageradamente longo para o calor que se fazia sentir e bastante fundamentalista no tema, com a abordagem da existência do diabo, com retórica já em desuso e uma critica muito forte a quem não se vai confessar ao padre e comunga...na minha modesta opinião este tipo de sermão não atrai fieis, nem é uma mais valia para o bom trabalho que a igreja faz em termos sociais.

 

 

Longe ficaram os comes e bebes, lá ao cimo, e enquanto decorria a Missa campal a amesendação transbordava de gente sob os toldos de feira, e o cheiro a frango assado pairava no ar, numa mistura com farturas e outros pratos de comida leve, tipo dobrada, rancho, carne guisada, etc. e ainda bem que a ASAE não passou por aqui, é que ás vezes sabe bem esquecermo-nos de algumas regras, e quando a fome e sede aperta podemos recuar alguns séculos e comer como se estivéssemos na época do Robin dos Bosques, qual Errol Flynn... 

 

 

Até é "giro" comer em ambiente de feira... meter conversa com o "vizinho" de ocasião, beber um copo e comer uma dieta levezinha, tipo dobrada, ou rancho, em dia de sol abrasador, não é todos os dias...

 

 

E para quem raramente aparece, cá estou eu, vermelho que nem um tomate, não sei se do vinho, do comer, se do calor...com os amigos Nuno Carvalho, a São e o filho João Pedro. P'ró ano há mais...

 

 

 

 

 

sinto-me:
publicado por rouxinoldepomares às 23:44
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9 comentários:
De anonimo a 6 de Julho de 2010 às 09:56
Era lindo e bom quando se levava a merenda de casa á cabeça ou de carro, e até agora mas em dias da festa não: já não é aquele sabor á antigamente e então em tascas? com este calor? e as condições para tal multidão? mas tambem é verdade só come quem quer. o Val De Maçeira já merecia ter um restaurante, é um sítio muito vizitado por muita gente,prencipalmente na Primavera e no Verão,pensem nisto.
De Odete a 6 de Julho de 2010 às 11:05
Todos os anos comento este post.
As minhas palavras já se devem repetir, mas Vale de Maceira e o Monte do Colcorinho, são daqueles locais que eu todos os anos vou visitar nas minhas férias de Agosto.
Para mim locais sagrados.
Pela crença que lhes tenho e pela beleza que irradiam.
Que a Nossa Senhora das Preces, nos dê sempre saúde, força e coragem para conseguir-mos alcançar os objectivos a que nos propomos.
Para o povo de Vale de Maceira o meu abraço de profunda amizade.
Odete Francisco
De hcantunes a 6 de Julho de 2010 às 19:53
Muito boa noite caro amigo Antonio.
Se bem me lembro, como diria o SR:VITORINO NEMESIo, para o val de maceira levava-se o cabaz com o farnel e o dito cujo (PALHINHAS)comia-se bem bebia-se melhor a sombra daquelas maravilhosas arvores,e ao fim da tarde e depois de corti-la com a sesta,voltava-se cada um ao seu cortiço com brinquedos para os pequenitos,mas sem sombra de duvida todos com um belo chapeu de palha.
Amigo Antonio ate uma proxima,nao sei se te visito este verao,provavelmente nao, mas para o Natal pelo menos irei dar uma voltinha por ai.
tiene duro! ate a proxima.CIAOOOO
De bcmantunes a 6 de Julho de 2010 às 20:11
Ora viva, meu caro amigo António Manuel , cordiais cumprimentos.
É com enorme satisfação que te vejo nesse lugar maravilhoso, onde eu, e muitos da minha geração, foram com certeza, passear e deglutir uma bela merenda ou almoço fora de casa.
O mais triste era por vezes quando chegava a hora de saborear o belo arroz doce, à moda de Coimbra, o mesmo estava deteriorado, devido ao imenso calor que por esta altura do ano se fazia sentir.
Os brinquedos eram mesmo a alegria máxima, fossem de madeira, bem coloridos, ou de lata, bem como o chapéu de palha para resguardar do imenso sol de verão. Coisas da minha criancice...
A meu ver a romaria da N. Senhora das preces não tem sido muito divulgada. Acho que merece mais...
É a minha percepção.
Provavelmente, poucos se aperceberão da quantidade de turistas que andam nas redondezas sem serem devidamente encaminhados. A própria Casa Grande na Barroca, talvez não esteja a divulgar bem o turismo de montanha. Se passearmos pela estrada N230, frequentemente nos apercebemos de autocaravanas sem rumo definido.
Alguns dos meus amigos, quando chegam a Ponte das Três Entradas, ficam maravilhados com o estilo de ponte. Fora de série. É essencial, não nos focarmos excessivamente na freguesia de Pomares.
A propósito de Pomares e de festividades; Era tempo de conhecermos o que se vai passar, em Pomares, em Agosto deste ano, no que respeita a festividades.
Caríssimo, antónio, desjo tudo de bom.
Saudações cordiais,
Belchior Madeira Antunes
De rouxinoldepomares a 6 de Julho de 2010 às 23:28
Olá boa noite meus caros conterrâneos Belchior e Herminio, pois é, tinha-me esquecido do típico chapéu de palha, e curiosamente já não os vi por lá. O calor era abrasador, tipo figideira, mesmo, e um chapeuzito de palha até teria comprado. O que me ofereceram foram cadeirinhas made in china, daquelas que há em todo o supermercado e feira por esse páis fora vendido por cigano (sem conotação racista). Ainda vi alguma gente com o devido farnel, mas agora o espaço debaixo das arvores está ocupado pelos automóveis e os comes na parte de cima, junto à capela de Sta Eufémia, parece que é assim que se chama e longe da sombra das arvores e abrigos. Os tempos são outros, mas o local podia e devia ser mais divulgado e a igreja bem o podia promover, mas agora o que está a dar é Fátima.
Sinais dos tempos.
Um abraço e em especial para Itália
AMS
De Tuareg a 7 de Julho de 2010 às 10:19
Quando vejo os teus post's sobre a Nª Srª das Preces, recordo sempre com saudade o meu avô que me trazia aquelas santas de açucar para pendurar ao pescoço e depois comer, obviamente. Certamente que tb te recordas do que estou a falar...
Beijinhos e até breve!

De rouxinoldepomares a 7 de Julho de 2010 às 15:38
Olá como estás?
Pois é, já nem me lembrava disso, de uma coisa potenciadora de cáries. Outros tempos, outros sabores e de substâncias menos prejudiciais à saúde; e mesmo as cáries eram compensadas com o farelo e com a broa. Tudo isso já é passado e está na nossa memória. Penso que uma das pessoas mais antigas na venda de produtos de feira será a senhora que comercializa os chás (infusões), e produtos naturais, embora agora já tenha a "baba de caracol", é que eles também se actualizam e não podem estar à margem dos tempos, senão perdem o "comboio", mas confesso que lhe comprei uns cházinhos...se bem não fazem, mal também não...a outros encomendei umas rezas para o mau olhado...eh! eh! eh!
Beijinhos e até um dia destes!
De José a 8 de Julho de 2010 às 17:52
Que saudades!
Ao ler o seu post sobre a Senhora das Preces, lembro-me de uma das vezes que, em criança, ali fui levado pela fé "peregrinativa" dos meus pais. Lembro-me da camioneta de excursão que nunca mais chegava, poia a estrada era estreita havia muitos autocarros a subir e a descer...
...lembro-me da merenda comida debaixo das árvores com sombra fresca...
... da visita às capelinhas...
...da ida, às cavalitas do meu pai, ao Culcorinho, pois ir à senhora das Preces e não ir ao Culcorinho era, como se dizia, ir a Roma e não ver o Papa...
...de um cavalinho de madeira agarrado a um roda que me acompanhava nas cavalgadas que faziamos nas ruas de Torroselo...
...de um gelado- sim há 48 anos já havia gelados a 10 tostões - o primeiro que comi, de leite, mas cujo sabor ainda lembro...
...do carrocel cujos cavalos nunca se cansavam de andar à roda e que os meus olhos não se cansavam de olhar, pois andar neles ultrapassava o orçamento familiar para a peregrinação...
...do lanche ao final da tarde, já no Senhor das Almas, onde os últimos pastéis de bacalhau e os últimos pedaços do galo sacrificado para a nossa peregrinação, eram deglutidos com um apetite que parecia de há muitos dias ( o ar da Senhora das preces abria o apetite, e esse foi um dos motivos da peregrinação).

OBRIGADO por todas estas lembranças e por me ter feito acabar de prometer aos meus filhos que este Verão iremos à Senhora das Preces.
De rouxinoldepomares a 8 de Julho de 2010 às 18:21
Meu caro Zé! Boa tarde!
Quando passar pela Senhora das Preces e se lhe der jeito avise, posso andar por perto e bebemos um copo. De qualquer maneira passe po Pomares e tome um banho na nossa praia fluvial, vai ver que vale a pena.
Um abraço
AMS

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