Domingo, 26 de Junho de 2016

O Regresso...

Pomares em Maio 2016

Nem sei bem como começar, tal é o tempo a que votei este meu espaço predilecto ao abandono. Imperdoável!!!
Fazendo as contas, há mais de um mês que não "boto" aqui nada, nem uma opiniãozinha. Nem parece meu. E penalizando-me, ainda mais, no mês de Maio, apenas um post. Valeu o post e o vinho da Casa da Carvalha que são excelentes. Tudo, os donos, a Casa e os vinhos...
Bem, vamos lá ao que me trouxe aqui:

Nada de especial, apenas a vontade de retomar o curso normal deste Blog " O Rouxinol de Pomares", e deixar aqui alguns desabafos, quiçá para justificar o injustificável, ou simplesmente para arranjar alguma explicação, ou álibi, para a minha preguiça, cansaço, desmotivação, ou desilusão...

Não sei, talvez tudo junto.
Todos nós gostamos mais de tudo o que nos é mais fácil. É humano e é legitimo. A coisa mais fácil é a plataforma de comunicação da chamada rede social, facebook, que nos permite algum voyeurismo e que podemos satisfazer a curiosidade alheia com uma foto de um bife e batatas fritas, ou simplesmente com a cor dos sapatos novos acabadinhos de comprar...
É tudo mais fácil, mais rápido e ninguém está preocupado com a qualidade das imagens, do som do vídeo. O que importa mesmo é a quantidade dos likes e quantidade de amigos, que na sua maioria passam por nós e nem bom dia dizem...é tudo uma questão de números, até nós, provavelmente lá em Bruxelas, eu não passarei de um número, ou serei mesmo um número? Se calhar nem isso...
Bom, adiante!
Ao longo destes 9 anos em que abordei muitos problemas que afectam as nossas aldeias, e em especial a minha terra na qual foquei este Blog, percorri um caminho que não foi fácil. Tornei-me conhecido como " O Rouxinol de Pomares", fiz grandes amigos, e fiz também alguns inimigos de estimação. Orgulho-me de ter companheiros e amigos que comungam dos mesmos ideais, que disseram sempre presente, foram sempre solidários, e em momento algum vacilaram nos ideais, e jamais aceitaram promessas vãs.  Compreendo, não sou redondo e não agrado a todos, e não tenho fígado para dizer pela boca uma coisa, e o coração estar a pensar outra. Recuso-me a ser hipócrita. Nunca o fui, e com esta idade já não vale a pena sê-lo.  Sou directo, frontal e verdadeiro, e se algum dia eu sentir que errei, não tenho a menor hesitação em pedir desculpa. Sei que levantei problemas a quem estava nas suas 7 quintas, porque do alto do seu poderzinho nunca ninguém tinha ousado questionar fosse o que fosse. Assustei e assusto quem está instalado e tem interesse em que as coisas permaneçam na mesma. Cheguei, questionei, fotografei, apontei caminhos alternativos, dei sugestões, e isso obrigou a mudar muita coisa. Mentalidades, uma das coisas mais difíceis de mudar...
Confesso também que acuso algum cansaço, fruto de uma luta muitas vezes solitária, de muitas horas perdidas à frente de um ecrã de computador, de muitas horas com uma máquina fotográfica na mão, de muitos quilómetros percorridos, muito dinheiro empatado e gasto a percorrer estradas, caminhos e aldeias, apenas com o objectivo de dar a conhecer, de divulgar e de levantar questões justas que tenderiam somente ao desenvolvimento sustentável, impedindo o desaparecimento de comunidades. Ou pelo menos a tentativa, enquanto outros assobiam para o lado e dizem " o gajo é parvo e fala demais"  Sempre com o sentido de responsabilidade que me caracteriza, de preservar a segurança e a imagem das pessoas e das aldeias, tendo o cuidado de não divulgar dados que possam comprometer a segurança das pessoas e bens. Todos sabemos da desertificação humana das nossas aldeias, mas nunca publiquei um post com o número de habitantes por aldeia, por uma questão de segurança e privacidade! O respeito pelas pessoas está sempre presente. Afinal é pelas pessoas que ando por aqui e me movo...

Confesso também alguma desilusão. Não por não sair vencedor de eleições a que me propus, porque o objectivo politico não sendo atingido na totalidade, foi sobejamente positivo. Estou convencido que contribuí bastante para consolidar a democracia na minha freguesia e para a transparência dos actos públicos. Sei que não é fácil aceitarem quem lhes pediu e pede para mostrar as contas publicas...porque nunca antes foi feito. Sei que não é fácil que se questione actos de uma gestão administrativa de uma pequena freguesia. Provavelmente ainda não entenderam que este é um caminho natural e que só teriam a ganhar com a participação de quem está na oposição.  Ainda há muito caminho a percorrer...mas nem sempre gozamos da estima e da compreensão, até dentro dos próprios camaradas de partido que se norteiam simplesmente por números...e quiçá pelo poder...  e é por isso que vamos assistindo à decadência dos velhos partidos, que ao longo destes anos nos levaram para um caminho que não sabemos onde terminará...
Desilusão também por constatar que cresceu na minha aldeia, oportunismo, bajulice, dissimulação e falsidade em alguns, que assim vão alcançando um bocadinho de protagonismo que de outra forma jamais o conseguiriam por mérito próprio.

Confesso também alguma desmotivação, muita até, porque me fartei de "aturar" boçalidades, gente que se julga capaz e não consegue produzir uma ideia. Gente que me pediu ajuda e no momento seguinte não teve pejo de me rasteirar. Gente mesquinha, que nos bate nas costas e ao virar da esquina é capaz de nos atraiçoar. Desmotiva-me que os valores de outrora tão comuns nas nossas aldeias já não são o que eram. O respeito, a verticalidade e a palavra já não são o que eram nem têm o mesmo valor de outrora. Perdeu-se a verticalidade...
Confesso ainda que estou a ter alguma preguiça, porque é mais simples não ter compromissos, não ter nada que fazer...e fazer apenas o que nos apetece, quando nos apetece, e como nos apetece...
Pensando bem, sou um homem livre, sempre fui um homem livre, e tenho a idoneidade de fazer o que acho que está bem feito...ninguém me paga!!!
Há gente que reconhece o meu trabalho, as minhas capacidades e o meu esforço. O que é importante na vida é que tenhamos sempre uma alternativa...
Desiludam-se aqueles que pensam que me remeti ao silêncio e que ficarei calado. Não acreditem! Um dia destes, voltarei, e nunca, mas nunca mesmo, deixarei de dizer o que penso e de apontar o dedo se for caso disso. É simples, a minha liberdade não tem preço, e o melhor do 25 de Abril foi a liberdade de expressão... 
  

sinto-me:
publicado por rouxinoldepomares às 23:55
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8 comentários:
De António Canhoto a 27 de Junho de 2016 às 01:20
Boa noite, amigo António (Rouxinol de Pomares)
Como eu o compreendo !!
Colocando-me devidamente em posição, no espaço e no tempo, sem sair da Freguesia, faço minhas, (com a sua permissão, como é óbvio) todas as suas palavras de desabafo, amigo Rouxinol !
Eu, com mais uns bons pares de anos de idade, que o amigo, e dúzia e meia deles gastos, numa entrega total à causa das Comissões e Associações, que não é propriamente uma actividade de militância politica, foi a desilusão e uma sentida desconsideração total que restou, no momento de fazer nova agulha à vida !
Conhecendo-lhe o carácter, deixo-lhe aqui o meu aplauso e um abraço de estima e admiração.
António Canhoto

De rouxinoldepomares a 27 de Junho de 2016 às 16:56
Caro António Canhoto, obrigado pelo comentário. Como diria um amigo meu: É da vida!
Abraço.
De Vitor Andrade (Barroja) a 27 de Junho de 2016 às 08:32
Bom dia camarada.
Como não poderia deixar de o fazer, passei oor aqui para dizer presente.
Do teu texto a única situação ( e principal ) que me provoca tristeza é sem dúvida a "desilusão" que o fez escrever.
É pena ...
Sei no entanto que a tua força e coragem são demais evidentes e vão ser mais fortes.
Como sabes, cá estou e estarei. Não mudou nada.
Aquele abraço.
Vitor Andrade.
De rouxinoldepomares a 27 de Junho de 2016 às 17:13
Caro amigo Vitor, obrigado pelo comentário. Sabe bem ouvir palavras de estimulo. Assumo que tenho alguma desilusão causada por algumas pessoas. Não, não são os velhos adversários. Esses jamais me poderiam trair, ou rasteirar...
Muitas vezes questiono-me se valerá a pena continuar a apostar numa comunidade que está pouco ou nada interessada nas questões publicas. Essa é uma realidade que interessa a alguns e que ao longo dos anos sempre estimularam que as pessoas estivessem longe das questões. Eu tenho alternativas em que posso ser mais útil e mais valorizado do que o tenho sido na minha terra. Sabemos daquela máxima, que santos da casa não fazem milagres...se calhar é isso! Sinceramente estou com pouca vontade de participar ou ajudar no que quer que seja. Remeter-me-ei por enquanto ao que me dá gozo, e sem compromissos é que estou bem...
No entanto estarei atento, e se necessário for, não me calarei. Uma coisa é certa, contarão sempre com a minha opinião...
Obrigado, e sei que posso sempre contar contigo e com outros amigos.
Abraço forte.

De Toino da Machôa a 27 de Junho de 2016 às 10:58
Bons dias senhor Rouxinol e bons dias a todos os pomarenses. Hoije tive que vir aqui botar umas palavras, já reguei as batatas e inté já não se pode andar na lavoira, que o sol está bom para assar os miolos e a minha Felismina não parava de me azucrinar as orelhas por não dizer nada á tanto tempo, vai daí liguei o aparelho e cá estou eu pra dizer duas coisitas ao sr. rouxinol. Olhe sr rouxinol, eu já não vou ao povo tão amiúde, mas a minha Felismina que vai á santa missa todos os domingos, vai trazendo as novidades que por lá ouve e o que eu lhe digo, é que o sr. rouxinol tem tido muita paciencia com toda aquela gente que se mostrava muito sua amiga e razão tem o meu canito Zeca Diabo, que já está velho e russo da idade, mas quando não lhe cheira alguns não para de ladrar para me avisar. A minha Felismina e a minha comadre e o compadre Zeferino dizem que o sr. rouxinol não pode desanimar nem pode virar costas
, atão é que os ricalhaços ficavam nas sete quintas. Sr. rouxinol, vossemecê tem amigos que lhe querem bem e tem muita gente que sabe que pode contar consigo.
Daqui da Machôa, bons dias a todos que eu tenho que ir tratar das minhas cabritas e logo se chega a hora da bucha.
Toino da Machôa
De rouxinoldepomares a 27 de Junho de 2016 às 17:15
Senhor(') Toino da Machôa.
Pois...a vida é mesmo assim! Sei que tenho amigos. Era o que faltava!
De Valério Neves a 27 de Junho de 2016 às 23:19
Como eu me lembro muito bem de alguém que eu gostava e simpatizava, e era seu tio mais conhecido pelo bengalas! Quando ele colocava aquele gira discos a tocar com aquele disco famoso que ele tanto gostava!!!!! E acho que é bem apropriado para o seu texto elaborado." OS cães ladrão é a caravana passa".... Siga em frente. Um abraço
De Odete Francisco a 28 de Junho de 2016 às 10:50
Hoje, tal como ontem, e desde sempre que o conheço, endereço-lhe um abraço de estima, amizade, profunda admiração e enorme reconhecimento.
Odete Francisco

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